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Casos suspeitos de coronavírus crescem no país e governo faz campanha
29/02/2020 às 11:11:37

Após os números de casos suspeitos disparar no Brasil, o Ministério da Saúde iniciou ontem a Campanha de Prevenção ao Coronavírus. Para levar as informações sobre sintomas, o que fazer e como evitar contágio, a pasta investiu R$10 milhões. A propaganda será veiculada na internet, rádio e televisão com transmissão para todo o território nacional. Brasil continua com um caso confirmado de coronavírus, mas os casos suspeitos, que, na quinta-feira eram 132, subiram para 182, enquanto 71 investigados já foram descartados.

Entre os casos descartados estão três familiares do homem infectado com coronavírus, que não estão mais sob suspeita de estarem contaminados. Os casos foram excluídos após exames laboratoriais, informou o secretário estadual de saúde, José Henrique Germann Ferreira, no início da tarde desta sexta-feira. Esses familiares tiveram contato com o paciente contaminado no domingo, em um almoço de família, após o homem retornar da Itália.

O morador de São Paulo, de 61 anos, infectado com coronavírus, permanece em isolamento domiciliar e passa bem, informou a Secretaria Estadual de Saúde. O paciente retornou de Turim, no Norte da Itália, na sexta-feira e teve o diagnóstico confirmado na quarta-feira de cinzas. “O paciente está muito bem e sairá da quarentena assim que sair dos sintomas clínicos”, disse o médico infectologista David Uip.

 
O balanço, segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, só será oficialmente atualizado na segunda-feira devido ao aumento do número de casos. “As secretarias estaduais de saúde ficarão responsáveis pelas análises dos próprios casos. Precisamos de um tempo para consolidar, validar, checar e garantir que a informação está precisa, completa e objetiva”, disse. Os registros de casos suspeitos estão concentrados nos estados de São Paulo (66), Rio Grande do Sul (27), Rio de Janeiro (19), Minas Gerais (17), Santa Catarina (9), Paraná (5), Distrito Federa (5), Goiás (5) e Espírito Santo (2).
 
Somente casos que se enquadrem nos critérios de análise estipulados pela pasta serão enquadrados nos casos suspeitos. Ou seja, apresentar febre somado a um outro sintoma de gripe como tosse, coriza, dor de cabeça e dificuldade para respirar. Além do fator sintomático, é necessário ter vindo de um dos 16 países incluídos na definição de casos. São eles: China, Austrália, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Singapura, Tailândia, Itália, Alemanha, França, Irã, e Emirados Árabes.
 
David Uip ressaltou a importância de diminuir a expectativa da população em relação a disseminação do vírus. “Não é possível que nós consigamos evitar a transmissão de uma doença viral”.  De quinta para sexta, os casos suspeitos em São Paulo diminuíram de 85 para 66. Destes, 15 foram descartados laboratorialmente, 22 foram excluídos porque não preenchiam a critérios da OMS (febre, tosse ou coriza e que tenha passado por um dos países ou contato com caso confirmado) e 18 suspeitos novos foram incluídos. Além dos 66 casos suspeitos a secretaria acompanha ainda 31 pessoas que são monitoradas apenas porque tiveram contato com o paciente confirmado. Antes, eram acompanhadas 34 comunicantes do paciente, mas o número diminuiu porque três deles fizeram exames que descartaram a existência do novo coronavírus.
 
Vacinação O Ministério da Saúde também informou mais detalhes da Campanha de Vacinação Contra a Gripe, antecipada para 23 de março. O Instituto Butantan produziu 75 milhões de doses que previne contra os três tipos de vírus de influenza. As doses serão divididas em fases. Na primeira, 18 milhões serão distribuídas as gestantes, crianças até seis anos e mulheres até 45 dias após o parto.
 
Na segunda fase, os idosos serão atendidos com cerca de 25 milhões de doses. E na terceira e última fase, outros grupos, como forças de segurança, poderão se vacinar. Além disso, o ministério adquiriu 2,5 milhões de doses monovalente de vacina contra a H1N1 para situações de emergência.
 
Para Wanderson de Oliveira, o novo vírus deveria ser tratado de forma expandida pela OMS. “Essa pandemia já deveria estar sendo tratada de forma mais ampliada do que tem sido a orientação da OMS”, afirmou o secretário. Wanderson explicou que a mudança de classificação para uma pandemia ajudaria no controle da doença. “O ministro tem reiterado a necessidade de uma revisão do critério de epidemia e pandemia porque essa mudança vai implicar em uma redução de busca de relação com o local provável de infecção e vai nos permitir focar principalmente nos grupos etários mais vulneráveis, que são adultos acima de 60 anos”, explicou.
 
O secretário de Vigilância da Saúde do ministério ressaltou ainda que a melhor estratégia de combate à doença é lavar as mãos e evitar compartilhar objetos pessoais. O secretário destacou ainda que o uso de álcool em gel é uma “boa estratégia”, mas alertou que a população não deve entrar em desespero caso não encontre o produto. “Lavar bem as mãos, as unhas, é suficiente”, disse Oliveira.
 

Rio descarta vírus em casal francês

 
O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, informou na tarde de ontem que a suspeita de coronavírus foi descartada em dois turistas franceses que foram internados em Paraty, na Costa Verde. Segundo Santos, 17 casos ainda estão sob suspeita no estado – 19 informados pelo Ministério da Saúde menos os dois franceses já descartados. O secretário também anunciou que, nos próximos "30 ou 40 dias", um hospital será inaugurado com 75 leitos, que poderá ser dedicado exclusivamente a pacientes infectados. Ele não revelou a localização da unidade de saúde.
 
De acordo com o secretário, os franceses estão com o vírus influenza. Mais cedo, a Justiça do Rio de Janeiro determinou internação compulsória do casal de turistas. A Guarda Municipal da cidade teve que ser chamada, segundo a prefeitura, porque eles queriam deixar a unidade de saúde onde estavam internados. Sobre os franceses, Santos diz que o casal procurou a saúde municipal de Paraty espontaneamente, depois "quiseram assinar (a saída) a revelia". "Então, a Justiça determinou que eles ficassem internados até que saísse um diagnóstico", explicou.
 
Segundo o secretário, o procedimento está previsto na legislação. O secretário também afirmou que não tem evidência de casos de coronavírus circulando no estado. “Não temos nenhum caso confirmado de coronavírus no Rio de Janeiro. Mais do que isso, não há nenhuma evidência de que o coronavírus esteja circulando no nosso meio. Nenhum caso confirmado e no Brasil não há circulação sustentada do vírus”, disse o secretário. Antes de viajar à Paraty, os franceses passaram quatro dias no Rio. Eles chegaram ao país vindos de Barcelona, na Espanha.
 
 

 




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